Teses e Dissertações

Apresentamos a seguir as teses e dissertações defendidas pelos sociofellows ao longo dos anos. O leitor encontrará título, autor e um pequeno resumo que descreve o que foi feito no respectivo trabalho acadêmico. Os arquivos se encontram disponíveis para download em pdf.

Por uma teoria social cosmopolita: modernização, mundialização/globalização e entendimento intercultural // Estevão Mota Gomes Ribas Lima Bosco // 2016

Resumo:

A contribuição geral deste estudo circunscreve a compreensão sociológica da mundialização/globalização. Seu domínio de objeto é definido pela resignificação sociológica da ideia filosófica de cosmopolitismo, com especial ênfase na teoria da modernização. Neste contexto, os programas de Jürgen Habermas, Ulrich Beck e as versões pós/des-coloniais de cosmopolitismo são centrais. O estudo apresenta duas teses. A tese descritiva sustenta que, na sociologia, o cosmopolitismo comporta três esferas de sentido – como fenômeno no mundo, como fundação teórica e metodológica experimental e como projeto político. Por sua vez, a tese teórica sustenta que o modelo de modernização como racionalização social não nos permite compreender a mundialização/globalização e a cosmopolitização. Introduz-se então um conceito de modernização bidimensional: por um lado, constituído pela pressuposição metateórica de dedução do todo pela parte, o entendimento mútuo concebido comunicativamente, a evolução social e a modernização como racionalização social; por outro, pela pressuposição metateórica de dedução do todo pela relação entre as partes, o entendimento intercultural concebido hermeneuticamente, a coevolução cultural e a modernização como mundialização/globalização. Por fim, vincula-se essa segunda dimensão ao cosmopolitismo mediante a derivação de aspectos político-normativos, distribuídos em três ordens de orientação da ação – uma primeira dialógico-normativa, uma segunda jurídica e uma terceira política. A estratégia metodológica utilizada é a reconstrução.

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Situando a biologia: de biologias locais à epigenética // Maria Luiza Ghizi Assad Situando // 2016

Resumo:

A proposta desse trabalho foi apresentar como a própria matéria biológica do corpo é contextualizada em meio às ciências sociais e às ciências biológicas; mais especificamente, através da concepção de biologias locais, proposta pela antropóloga Margaret Lock, e do campo da epigenética, possível representante de novo estilo de pensamento na biologia. Através de uma revisão de sua literatura, o intuito foi observar como a materialidade do corpo é situada por ambos os enfoques; como é elaborada uma visão acerca da contingência do corpo humano, em contraste a um caráter quase universal ou a priori atribuído aos processos biológicos, que ajuda a isolá-lo de seus ambientes materiais e sociais. Essa síntese sobre a contextualização da biologia atenta ao caráter temporal que a atravessa, devido aos questionamentos sobre os limites de uma hereditariedade biológica que, se primeiro ajudou a isolar os fundamentos biológicos do corpo, agora parece indicar sua permeabilidade.

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Discurso sociológico da modernidade // Marcos Aurélio Lacerda da Silva // 2015

Resumo:

O que se pretendeu nesta tese foi apresentar uma arqueologia da sociologia, tendo como objeto principal de análise aquilo que chamaremos de seu “discurso”, o discurso sociológico da modernidade, procurando mostrar o vínculo substancial da sociologia com a episteme da modernidade, especialmente na figura do homem duplo empírico-transcendental: a sociologia seria, assim, uma derivação da episteme da modernidade e o conceito de sociedade, realidade social e as diversas teorias da simultaneidade “estrutura” e “agência”, seriam a versão sociológica do homem duplo empírico-transcendental, objeto e fundamento do saber ao mesmo tempo. No final, tratamos das implicações da perda da desfiguração da episteme da modernidade para a sociologia: com a “morte do homem” podemos pensar também no “fim da sociedade”, na medida em que a sociedade é uma derivação do homem duplo-empírico transcendental?

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“Crescer na vida”: trajetórias de micromobilidade nos meios populares // Thiago Panica Pontes // 2015

Resumo:

Esta investigação sociológica tem como foco a reconstrução de trajetórias de (micro)mobilidade no seio das classes populares, e de suas fronteiras, do ponto de vista de seus horizontes ascensionais. Estes horizontes são pressupostos e tacitamente inscritos em seus projetos socioeconômicos, em outras palavras, na concatenação vivida de suas aspirações, anseios, expectativas, motivações, planos e ações relativos precisamente a sua (nova) condição. Nossa hipótese de trabalho está em que a compreensão destas orientações de conduta – tanto em seu aspecto ‘objetivo’ quanto ‘subjetivo’ – demanda naquilo que possuem de mais fundamental a consideração de sua multideterminação existencial. Isso significa que as condições de existência compartilhadas por uma classe se refratam nas trajetórias em questão moduladas por um conjunto de mediações socializante-experienciais pelas quais elas são vivenciadas numa paisagem particular, conformando assim um complexo de experiências que é, para todos e cada um de seus integrantes, simultaneamente geral e singular. Tendo então estabelecido os parâmetros para uma sociogênese ascensional-popular que não se reduza nem a um objetivismo “miserabilista” (dada aquela multideterminação existencial assim como o modo singular como cada agente vivencia a generalidade de sua condição), tampouco a um subjetivismo “populista” (na medida em que perscrutamos suas condições histórico-estruturais de possibilidade), examinamos no que consistem tais projetos, suas linhas de experiência constitutivas, assim como suas implicações societárias mais amplas.

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Para uma sociologia das visões de mundo: esboço de uma teoria praxiológica da cultura. // Rodrigo Vieira de Assis // 2015

Resumo:

Esta dissertação se configura pela inserção da abordagem sociológica do conhecimento e da cultura na praxiologia e pela incorporação da teoria das práticas na sociologia do conhecimento e da cultura. A inserção da discussão aqui apresentada no seio dessas subáreas da sociologia emerge da tentativa de conciliar algumas das suas contribuições fundamentais que, ao nosso juízo, podem nos levar a uma melhor compreensão do modo pelo qual os indivíduos veem, interpretam e agem na vida social. Para isso, o problema da percepção que os indivíduos têm do mundo social e o processo de aquisição das disposições que operam na constituição das práticas são percebidos como dois lados de uma mesma moeda, qual seja, do processo de produção social de um sentido para a existência em sociedade. Assim, as diferentes perspectivas sociológicas aqui discutidas e mobilizadas são vistas como importantes contribuições para este fim: são percebidas enquanto recursos necessários à edificação das bases a partir das quais o problema da significação do mundo social pode ser apresentado como produto de uma continua luta entre grupos portadores de concepções distintas da realidade. Dessa forma, apresentamos, nesta dissertação, os fundamentos teórico-metodológicos necessários à fundamentação de uma sociologia das visões de mundo. Para isso, por um lado, apropriamo-nos das contribuições teóricas da sociologia da cultura e do conhecimento proposta por Karl Mannheim e, por outro lado, dialogamos com a praxiologia desenvolvida por Pierre Bourdieu, buscando, respectivamente, tomar a cultura como espaço privilegiado para a objetivação das visões de mundo e para a compreensão do estabelecimento de relação espontânea entre os indivíduos e as condições sociais de existência em que se situam. Mesmo nos limitando à discussão em nível teórico, nosso intuito é compreender a visão de mundo do indivíduo real, que vive em uma dada cultura e em uma dada sociedade, considerando, para tanto, o seu estilo de pensamento como mecanismo explicativo da lógica das suas tomadas de posição em situações de interação social. Assim, esta dissertação deve ser lida como um preâmbulo teórico para futuras investigações empíricas sobre os conflitos contemporâneos entre grupos e indivíduos portadores de visões de mundo distintas e distintivas entre si, que requerem, antes de tudo, a preparação de um quadro conceitual capaz de sustentar uma praxiologia da cultura cuja condição de possibilidade se apresenta no cruzamento entre teoria e empiria. É com este objetivo que este trabalho se realiza.

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Confiança e desconfiança como dispositivos morais situacionais em trânsito: um estudo em viagens de ônibus na cidade do Rio de Janeiro // Vittorio da Gamma Talone // 2015

Resumo:

Nesta dissertação, apoiado em uma abordagem pragmatista, em que se pode analisar as ações sociais dos indivíduos observando os efeitos produzidos pelas mesmas, proponho a desconfiança como uma gramática que comporta diversos dispositivos mobilizados pelas pessoas em relação ao que constroem como perigos e riscos na cidade do Rio de Janeiro. Por meio de um trabalho de campo em três distintas linhas de ônibus que oferecem serviço a diferentes áreas, 332 (Castelo-Taquara), 474 (Jacaré-Jardim de Alah) e 498 (Penha Circular-Cosme Velho), sugiro um entendimento, constituído pelas representações dos atores, da cidade pelo conceito de distopia realizada: uma metafísica moral que orienta as ações daqueles que se deslocam pelas ruas. Trata-se de um quadro referencial formado por elementos identificáveis pelas pessoas em suas rotinas para os quais mobilizam práticas de desconfiança, como a evitação e o afastamento. Essas se dão na tentativa de proteção à integridade física e patrimonial, percebidas como ameaçadas por diferentes elementos representados socialmente como “violência urbana”. Os dispositivos de desconfiança são, dessa forma, suportes para ações temerosas, permitindo a continuidade da rotina de uma forma própria.

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Do existencialismo sociológico à epistemologia insana: a ordem social como problema psíquico // Gabriel Peters // 2014

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Como a ordem social é possível? Por que o mundo social não descamba mais facilmente para o caos ou para a “guerra de todos contra todos”? A presente tese sustenta que parte da resposta a essas questões clássicas da teoria sociológica se encontra no anseio universal do agente humano por “segurança ontológica”, isto é, por uma experiência do mundo e de si como imbuídos de ordem, justificação e sentido. Na sua primeira parte, o texto explora versões dessa tese nos trabalhos de autores tão diversos quanto Weber, Berger, Bourdieu, Giddens, Sartre, Heidegger e Ernest Becker. Em seguida, o trabalho aprofunda a discussão sobre a segurança ontológica pelo exame do seu reverso: as experiências de insegurança existencial radical descritas na literatura sobre a esquizofrenia. Nesse sentido, ao propor um exercício em “heurística da insanidade” ou “epistemologia insana”, a tese defende não apenas uma compreensão da loucura a partir da teoria social, mas também um repensar crítico da teoria social a partir da loucura.

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Uma genealogia de princípios de demofilia em concepções utópicas de democratização // Thais Florencio de Aguiar // 2013

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Ao aplicar o método genealógico a teorias que apresentam subsídios à reflexão sobre a democratização, infere-se a constituição de duas matrizes de pensamento, a demofóbica e a demofílica. A concepção da demofobia deriva da ideia spinozista de que o pensamento político moderno se constitui em torno do medo das massas (a multidão). Os termos dessa demofobia manifestam-se em teorias liberais como as de Constant, Tocqueville, Stuart Mill, Spencer, Schumpeter, Pareto, entre outros; mas também se insinua em teóricos socialistas, como Marx, Engels e Lênin. A compreensão de que a demofobia resulta em obstáculo epistemológico ao conhecimento da dinâmica das massas na política incita a buscar novas bases para a teoria da democratização. Para isso, esta tese explora as distinções entre a noção de multidão, em Spinoza, e o conceito de povo, em Hobbes. A concepção de demofilia baseia-se fortemente nas premissas spinozistas, como a ideia de que a potência da multidão excede o ordenamento jurídico-político, sendo composta por elementos extraídos das éticas de Spinoza, Aristóteles e Cícero, nas quais a philia ou amizade revela-se como fundamento da comunidade política. A partir da análise desses elementos, formula-se a proposição demofílica que, à maneira de imperativo categórico, sentencia agir como se a demofilia fosse o mundo a realizar na esfera ético-política. Entendendo a demofilia como um ideal a partir do qual se julga a política, estabelece-se como âmbito teórico para derivação de princípios demofílicos o pensamento utópico, do qual participam também, mas não exclusivamente, teorias identificadas como anarquistas, comunistas e socialistas, estudadas nas figuras de Bakunin, Thoreau, Winstanley e Fourier.

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Variações sobre a noção de indivíduo e suas implicações sobre a teoria social // Marcos Aurélio Lacerda da Silva // 2011

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A nossa proposta aqui foi apresentar um pequeno quadro das formas e variações mais expressivas do modo como as teorias sociológicas vêm tratando da “questão do indivíduo”. Longe de ser um tema já superado, ou supostamente distante dos interesses e das perspectivas sociológicas, a “questão do indivíduo” permeia grande parte das reflexões sociológicas desde a sua gênese, ocupando uma posição decisiva tanto para as definições dos limites e amplitudes das ciências que tem como objeto de análise o “social”, quanto para a formação de alguns dos principais conceitos e “categorias sociológicas de pensamento”. A pluralidade das formas de reflexão sociológica sobre o tema aponta para uma pluralidade expressiva de perspectivas sobre o sentido da sociologia como “ciência” e como campo de produção de discurso nas ciências humanas.

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Ulrich Beck: a teoria da sociedade de risco mundial // Estevão Mota Gomes Ribas Lima Bosco // 2011

Resumo:

O estudo tem por objetivo geral reconstruir a história da teoria da sociedade mundial de risco elaborada por Ulrich Beck, deslindando as dimensões centrais que permitem caracterizá-la como teoria. Esta orientação metodológica se justifica tendo em vista o uso do ensaio como estratégia discursivo-analítica por parte de seu formulador. Os conceitos centrais da teoria – nomeadamente, reflexividade e risco – conduzem a reconstrução. Por meio deles, as teses principais da teoria são delineadas, enfatizando os aspectos processuais do conceito de reflexividade, as dialéticas da modernidade e a vinculação interna entre reflexividade, modernidade e incerteza. Este estudo oferece a sistematização ampla de uma teoria cujas contribuições são significativas para a compreensão sociológica de problemas contemporâneos e que suscita controvérsias no âmbito da justificação do argumento.

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Esquemas disposicionais e reflexividade: elementos para uma abordagem dialética // Thiago Panica Pontes // 2009

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Neste trabalho eminentemente exploratório visamos articular, de forma teórica e empiricamente fundamentada, o que consideramos como dois programas de pesquisa (Lakatos) centrais na sociologia contemporânea. Primeiramente, analisamos as linhas de um núcleo duro disposicional assim como se nos apresenta na sociologia de Pierre Bourdieu e em seu “prolongamento crítico” em Bernard Lahire. Após uma apreciação dos alcances e dificuldades envolvidos em uma teoria disposicional das práticas, nosso enfoque direciona-se para a essência de um segundo programa de pesquisas, desta vez assentado sobre um núcleo reflexivo, particularmente o que se configura pela retomada sociológica do conceito de conversações interiores da filosofia pragmática por Margaret Archer, em razão de sua comparabilidade e contraposição explícitas, igualmente teórica e empiricamente orientada, com o programa disposicional. Assim como realizamos no primeiro caso, tentamos apontar as contribuições e os problemas envolvidos neste desdobramento específico da programática reflexiva. Embora neste ponto os contornos da articulação teórica entre as axiomáticas em questão já tenham tomado forma, nossa proposta experimental prolonga estas possibilidades empiricamente, por meio de três estudos de caso.

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