Linha de pesquisa

O Sociofilo é um núcleo de pesquisa especializado nas investigações de generalidades. Com foco na teoria social, as suas pesquisas abarcam todo o espectro de investigações nas ciências humanas. As nossas hipóteses de trabalho são as seguintes: que as pressuposições transcendentais da sociologia podem ser sistematicamente mapeadas (metateoria) (I), que estas pressuposições metateóricas podem ser trabalhadas em uma teoria geral da sociedade que ofereça um quadro conceitual para a análise da ação, da ordem e da mudança sociais (teoria social) (II), que esta teoria social filosoficamente informada pode servir de base para uma teoria crítica da modernização e da globalização (teoria sociológica) (III), e que esta teoria sociológica das principais dimensões e direções da modernização na era global prepara o terreno para uma pesquisa qualitativa em comunidades locais (etnografia social) (IV), bem como para intervenções práticas, transformativas e concretas, em colaboração com organizações de base comunitária (sociologia aplicada transformativa) (V).

1. Fundamentos das ciências sociais

Autores: Habermas, Bhaskar, Husserl, Heidegger, Gadamer, Cassirer, Parsons, Alexander, Bourdieu, Honneth, Freitag, Caillé, Archer, Dubet, Lahire.

Temas: metateoria, teoria social, sociologia clássica, filosofia alemã, pós-Bourdieu, novas sociologias.

Esta linha, mais alemã em inspiração e, portanto, mais sistemática em intenção, junta a reflexão metateórica sobre os fundamentos ontológicos, epistemológicos e normativos da ciências humanas à reflexão fundamental sobre as questões fundamentais da teoria social: O que é ação? Como a ordem social é possível? Como podemos transformá-la? Enquanto as reflexões mais filosóficas se inspiram na teoria crítica de Habermas, as reflexões mais teóricas pensam com Bourdieu contra Bourdieu e exploram as novas correntes da teoria social (realismo crítico, teoria crítica, pragmatismo, etnometodologia, etc.) na tentativa de construir uma teoria reconstrutiva do mundo social.

2. Filosofia empírica e metafísica experimental

Autores: Dewey, Mead, Garfinkel, Goffman, Boltanski, Thévenot, Collins, Chateauraynaud, Latour, Ingold, Collins, Viveiros de Castro.

Temas: filosofia empírica, pragmatismo, praxeologia, prática, humano / animal, natureza e cultura, fenomenologia do esporte, epistemologia da insanidade, socioantropologia das intensidades, viradas nas ciências humanas.

Esta linha, mais francesa em inspiração e, portanto, mais ensaística e experimental, contém pesquisas microssociológicas e etnografias ousadas, de cunho fenomenológico, etnometodológico, pragmatista ou neomonadológico, situadas na fronteira entre a filosofia, a sociologia e a antropologia, que aplicam grandes teorias para entender pequenas situações de ação; explicitam o pano de fundo cultural das práticas ou tentam interpretar as crises existenciais que perpassam uma vida; exploram os afetos, as intensidades e as virtualidades transpessoais que nos conectam aos animais.

3. Ontologia do presente

Autores: Habermas, Foucault, Arendt, Luhmann, Stichweh, Castoriadis, Gauchet, Benhabib, Deleuze, Negri, Agamben, Beck, Rose, Castells, Rosanvallon.

Temas: teoria crítica, teoria sociológica e sociologia política, sociologia histórica do político, globalização, modernidade e pós-modernidade, pensamento social brasileiro e pós-colonialismo, sociologia da cultura, do indivíduo/subjetividade, pós-humanismo e ciberativismo.

Esta linha, mais politica, que se inspira em Habermas, Foucault, Deleuze, etc. propõe reflexões sobre a ontologia do presente em tempos críticos para pensar as tendências profundas da economia (neoliberalismo), ecologia (antropoceno) tecnologia (pós-humanismo), geopolítica (pós-colonialismo), política (populismo) e psicologia (psicopatologias) que desfazem o mundo tal qual o conhecemos e nos conduzem à beira de uma nova civilização em emergência que chamamos, para colocar a teoria sociológica em cheque, de “segunda pós-modernidade”.

4. Teoria reconstrutiva e práticas transformativas

Autores: Habermas, Arendt, Ricoeur, Morin, Mauss, Caillé, Bhaskar, Olin Wright.

Temas: filosofia prática, filosofia da existência, sociologia moral, intersubjetividade, diferença e alteridade, dádiva, cuidado e simpatia, misticismo ateu, convivialismo.

Esta linha de pesquisa, de cunho mais humanista, propõe uma reflexão sobre as bases espirituais, morais e existenciais da civilização e explora as fontes de esperança e de solidariedade que nutrem projetos de transformação e de reconstrução do self, da cultura e da sociedade. No âmbito desta linha cabem investigações sistemáticas de alguns tópicos clássicos na tradição das Geisteswissenschaften (espírito, alma, pessoas), assim como explorações de projetos utópicos de uma sociedade pós-capitalista e convivial, tais quais o convivialismo, os commons, slow science, a economia solidária, o P2P, etc.