Biblioteca

A biblioteca do Sociofilo na AnnaBlume se atribui como missão primordial publicar textos inovadores e ambiciosos de jovens cientistas sociais talentosos, contribuindo, assim espera-se, para uma renovação significativa das ciências sociais brasileiras. A política é de abertura e passa por uma redefinição de fronteiras disciplinares. Acolhemos dois tipos de textos. De um lado, textos teóricos sólidos, mais “alemães”, situados na fronteira da sociologia e da filosofia, que tratam dos fundamentos das ciências sociais; dialogam com as vertentes mais recentes da teoria social contemporânea ou apresentam uma reflexão sobre a "ontologia do presente". De outro lado, pesquisas microssociológicas e etnografias ousadas, mais “francesas”, de cunho fenomenológico, etnometodológico, pragmatista ou neomonadológico, situadas na fronteira entre a sociologia e a antropologia, que aplicam grandes teorias para entender pequenas situações de ação; explicitam o pano de fundo cultural das práticas ou tentam interpretar as crises existenciais que perpassam uma vida. Além desses textos de meta- e de microssociologia, também trabalhamos com traduções de textos representativos e entrevistas de grandes autores estrangeiros (tais como Jeffrey Alexander, David Le Breton, Alain Caillé e Bernard Lahire) que estão na ponta do debate internacional nas ciências sociais.

A ordem social como problema psíquico: do existencialismo sociológico à epistemologia insana

Gabriel Peters

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Descrição: Este é um livro excepcionalmente inteligente e sensível (ainda que meio doido) sobre as psicopatologias da vida cotidiana. Embora a obra não se concentre sobre as estruturas sociais da modernidade tardia que nosmfazem sofrer de depressão, ataques de pânico e outros distúrbios psíquicos, ela oferece uma genuína investigação sociológica da doença mental. Este é, de fato, um importante estudo da alienação do self e do estranhamento do mundo. A combinação de conhecimento enciclopédico, estilo gracioso e, acima de tudo, um senso profundo de empatia para com aqueles aterrorizados pelo caos iminente, situa esse livro na grande tradição de Goffman, Garfinkel e Peter Berger. Com Goffman, o livro partilha um senso do absurdo; com Garfinkel, uma obsessão por detalhes; e com Berger, não apenas um bom senso de humor, mas também um profundo conhecimento da lógica teórica da sociologia. Dificilmente poderíamos imaginar um volume de abertura mais apropriado para a Biblioteca do Sociofilo na Annablume. Frédéric Vandenberghe

O parlamento dos invisíveis

Pierre Rosanvallon

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Descrição: "É a democracia como forma de sociedade, e não somente como regime político, que é preciso hoje refundar. É nessa perspectiva que o projeto de uma democracia narrativa ganha todo sentido: ela é a condição para constituir uma sociedade de indivíduos plenamente iguais em dignidade, igualmente reconhecidos e considerados, e que possam verdadeiramente formar uma sociedade comum.” [P.R.] Esse livro é um manifesto social, político e moral em prol do povo. Entre a filosofia política, a sociologia e a história, defende a representação plena de todos e de cada um num parlamento sem invisíveis. Faz parte do projeto Contar a vida (Raconter la vie), que anseia abrir um espaço de experimentação social e política, bem como intelectual e literária. Pierre Rosanvallon, historiador, é titular da cátedra de História Moderna e Contemporânea do Político no Collège de France e autor de "Por uma história do político", entre outros livros.